Depois do estatus de pólo da fruticultura, Petrolina caminha, agora, para ser destaque em outro setor: o têxtil. O governador Eduardo Campos deu um passo importante, ontem (4), com a assinatura do protocolo de intenções de instalação da São Francisco Têxtil, no município sertanejo, que poderá se transformar em pólo de jeans. Serão investidos R$ 150 milhões ao longo de cinco anos no empreendimento, que deve empregar 800 pessoas e gerar 1,5 mil postos de trabalho indiretos. No futuro, a unidade deve comprar o poliéster que será produzido pela Petroquímica Suape, hoje importado da China.
A fábrica que o grupo possui em Santa Bárbara d’Oeste, no Interior do São Paulo, tem um consumo de 400 mil quilos de poliéster por mês, o que representa quase 20% da matéria-prima usada. “Poderemos adquirir em Pernambuco. A PetroQuímica Suape foi um fator determinante para nós”, disse o diretor presidente da empresa, Jair Covolan. O quilo do poliéster chinês sai por cerca de US$ 2,80 e a expectativa é de que o valor caia em torno de 15%. “Tem que ser mais barato para que exista competitividade”, apontou um dos diretores do grupo, Rafael Covolan.
A intenção é usar a indústria pernambucana para atender à demanda de 4,5 milhões de toneladas mensais dos tecidos fabricados pela unidade da São Francisco Têxtil em São Paulo. Há sete anos o grupo abriu a primeira fábrica em Petrolina, com produção de 150 mil quilos mensais. Com a nova aquisição, a cerca de 1,5 quilômetro de distância, a capacidade chegará a seis milhões de toneladas/mês de sarjas e índigos. O objetivo é financiar todo o empreendimento. Como o maquinário, comprado na Itália, leva sete meses para ficar pronto, a operação da fábrica deve iniciar em 2012. Já os serviços de terraplanagem podem ser concluídos em um ano.
As possibilidades de escoamento via o Porto de Petrolina também foram fundamentais na decisão. “Recuperamos o terminal com um investimento de R$ 4 milhões. O município vai entrar na briga para se tornar um dos grandes polos de confecção de Pernambuco. É resultado de um trabalho do Governo em olhar além de Suape e da Região Metropolitana do Recife (RMR)”, afirmou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho.
O governador Eduardo Campos, por sua vez, lembrou que a indústria têxtil foi entrando em decadência aos poucos, quando, nos anos 1970, tomaram a decisão de não oferecer incentivos fiscais às empresas que quisessem se instalar na RMR. Por ir para o Interior, a São Francisco Têxtil terá 95% de isenção fiscal, garantidos pelo Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe).


