domingo, 5 de setembro de 2010

Petrolina pode ser pólo de jeans.



Depois do estatus de pólo da fruticultura, Petrolina caminha, agora, para ser destaque em outro setor: o têxtil. O governador Eduardo Campos deu um passo im­por­tan­te, ontem (4), com a as­si­na­tu­ra do pro­to­co­lo de in­ten­ções de ins­ta­la­ção da São Francisco Têxtil, no mu­ni­cí­pio ser­ta­ne­jo, que poderá se transformar em pólo de jeans. Serão in­ves­ti­dos R$ 150 mi­lhões ao longo de cinco anos no em­preen­di­men­to, que deve em­pre­gar 800 pes­soas e gerar 1,5 mil pos­tos de tra­ba­lho in­di­re­tos. No fu­tu­ro, a uni­da­de deve com­­prar o po­liés­ter que será pro­du­zi­do pela Petroquí­mi­ca Suape, hoje im­por­ta­do da China.

A fá­bri­ca que o grupo pos­sui em Santa Bárbara d’Oeste, no Interior do São Paulo, tem um con­su­mo de 400 mil qui­los de po­liés­ter por mês, o que re­pre­sen­ta quase 20% da ma­té­ria-prima usada. “Pode­remos ad­qui­rir em Pernam­buco. A PetroQuímica Suape foi um fator de­ter­mi­nan­te pa­ra nós”, disse o di­re­tor pre­si­den­te da em­pre­sa, Jair Covo­lan. O quilo do po­liés­ter chi­nês sai por cerca de US$ 2,80 e a ex­pec­ta­ti­va é de que o va­lor caia em torno de 15%. “Tem que ser mais ba­ra­to pa­ra que exis­ta com­pe­ti­ti­vi­da­de”, apon­tou um dos di­re­to­res do grupo, Rafael Covolan.

A in­ten­ção é usar a in­dús­tria per­nam­bu­ca­na para aten­der à de­man­da de 4,5 mi­lhões de to­ne­la­das men­sais dos te­ci­dos fa­bri­ca­dos pela uni­da­de da São Francisco Têxtil em São Paulo. Há sete anos o grupo abriu a pri­mei­ra fá­bri­ca em Petrolina, com pro­du­ção de 150 mil qui­los men­sais. Com a nova aqui­si­ção, a cerca de 1,5 qui­lô­me­tro de dis­tân­cia, a ca­pa­ci­da­de che­ga­rá a seis mi­lhões de to­ne­la­das/mês de sar­jas e ín­di­gos. O ob­je­ti­vo é fi­nan­ciar todo o em­preen­di­men­to. Como o ma­­qui­ná­rio, com­pra­do na Itália, leva sete meses para ficar pron­to, a ope­ra­ção da fá­bri­ca deve ini­ciar em 2012. Já os ser­vi­ços de ter­ra­pla­na­gem podem ser con­cluí­dos em um ano.

As pos­si­bi­li­da­des de es­coa­men­to via o Porto de Petrolina tam­bém foram fun­da­men­tais na de­ci­são. “Recuperamos o ter­mi­nal com um in­ves­ti­men­to de R$ 4 mi­lhões. O mu­ni­cí­pio vai en­trar na briga para se tor­nar um dos gran­des polos de con­fec­ção de Per­nam­buco. É re­sul­ta­do de um tra­ba­lho do Governo em olhar além de Suape e da Região Me­tropo­litana do Recife (RMR)”, afir­mou o se­cre­tá­rio es­­ta­­dual de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho.

O go­ver­na­dor Eduardo Cam­pos, por sua vez, lem­brou que a in­dús­tria têx­til foi en­tran­do em de­ca­dên­cia aos pou­­cos, quan­do, nos anos 1970, to­ma­ram a de­ci­são de não ofe­re­cer in­cen­ti­vos fis­cais às em­pre­sas que qui­ses­sem se ins­ta­lar na RMR. Por ir para o Interior, a São Francisco Têxtil terá 95% de isen­ção fis­cal, ga­ran­ti­dos pelo Programa de Desenvol­vi­men­to de Pernambuco (Pro­depe).

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