quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Atendimentos por complicações com uso de anabolizantes aumentaram no HUT/UNIVASF.



A obsessão por músculos fortes e definidos tem levado jovens e adolescentes entre 15 e 22 anos, a injetarem em seus corpos produtos de uso industrial, outros específicos para animais e um composto de óleo mineral.

Os efeitos dessa prática perigosa tem se refletido nos atendimentos realizados na emergência e ambulatórios do Hospital de Urgências e Traumas/UNIVASF.

Nos últimos dois meses, foram mais de 100 atendimentos de casos avançados, com efeitos colaterais da aplicação desses produtos. “A maioria dos pacientes procura atendimento por causa de inflamações, dores, inchaços e necrose muscular (perda do tecido).” Afirma o cirurgião geral Dílson Pereira.O médico explica que as vitaminas A D e E, geralmente aplicadas nos membros superiores, pelos jovens, são um complexo vitamínico para tratar falta de vitaminas e o surgimento de infecções, em bovinos, equinos, suínos, ovinos, e caprinos. Já o óleo mineral vendido livremente nas farmácias, são a grande coqueluche do momento. Outro produto que tem feito a cabeça dos jovens, é o silicone industrial líquido, geralmente usado para impermeabilizar azulejos, limpar peças de avião, pneus e lustrar painéis de carro.

Os produtos são aplicados pelos próprios jovens através de uma seringa e a quantidade varia entre 50 e 200 miligramas por membro.

Normalmente os locais onde se aplicam essas substâncias são altamente vascularizados, como bíceps, peitoral e panturrilha, o que aumenta o risco de se atingir ramos do sistema circulatório durante a aplicação. “Caso essa substância atinja a circulação, o risco de morte é real e iminente, podendo causar embolias, ataques cardíacos, infartos e derrames cerebrais. Também são relativamente comuns os casos onde se atingem os nervos, levando a paralisias irreversíveis. Em alguns casos acontecem infecções tão graves, que é preciso amputar o membro atingido.” Alerta Dílson Pereira.

O médico afirma que os jovens têm contato com os produtos através de amigos ou até mesmo por falsos instrutores em academias, que se fazem passar por especialistas no assunto, prometendo efeito rápido de músculos bem definidos. “Não há milagres. O ideal é a pessoa fazer musculação e ter uma dieta adequada se alimentando de proteínas e carboidratos, tudo sob a orientação de um médico. Porém vale ressaltar que nem todas as pessoas terão ganho de massa muscular. Cada um tem o metabolismo diferente”, afirma Dílson Pereira.

O aparelho cardiovascular também pode ser vítima do uso indiscriminado destas substâncias. Além de hipertensão arterial, ocorre um aumento das gorduras LDL (colesterol ruim) e diminuição importante do HDL (colesterol bom) levando ao surgimento de infartos com o crescimento anormal do coração em curto período de tempo. Outros efeitos do uso dos anabolizantes ilícitos são a atrofia dos testículos, dos ovários e alto risco de câncer de fígado.

Devido ao crescente número de casos graves que chegam todos os dias ao HUT/UNIVASF, um trabalho de conscientização está sendo feito com os pacientes, envolvendo os médicos e a equipe multiprofissional formada por assistentes sociais, psicólogos,nutricionistas e fisioterapeutas. Porém o médico alerta que é imprescindível a atenção dos pais de jovens e adolescentes. “Todo crescimento acelerado de musculatura deve ser investigado. As conseqüências podem causar graves doenças crônicas irreversíveis para o resto da vida.”

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